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Guia

Templos gregos e egípcios nos jogos: o que os cenários vão buscar à história

Nos puzzles do catálogo, a Antiguidade é pano de fundo e não tema de estudo. Ainda assim, os cenários vão buscar elementos reconhecíveis a lugares reais, e saber de onde vêm acrescenta uma camada ao que se vê entre duas jogadas. Este guia separa o que tem raiz histórica do que é pura invenção gráfica.

Pirâmides, esfinges e paredes gravadas

A Grande Esfinge de Gizé com uma pirâmide ao fundo, sob céu azul
A Grande Esfinge de Gizé, com a pirâmide de Miquerinos ao fundo. Fotografia: Wikimedia Commons, domínio público (CC0).

O imaginário egípcio dos jogos nasce quase sempre no planalto de Gizé, junto ao Cairo. Ali ficam as três grandes pirâmides do Império Antigo, erguidas por volta de 2500 a.C., e a Grande Esfinge, esculpida diretamente na rocha calcária. A pirâmide mais pequena das três, a de Miquerinos, é a que aparece na fotografia acima, atrás da Esfinge.

Os hieróglifos são outra presença constante. Trata-se de um sistema de escrita que combina sinais com valor de som e sinais com valor de ideia, usado durante mais de três mil anos em templos, estelas e objetos do quotidiano. Em Magic Pharaoh Jewels, a parede atrás do tabuleiro está coberta de sinais deste tipo — a cruz ansada, o olho, várias aves —, mas funcionam como textura e não como texto legível.

Fragmento de pedra calcária com hieróglifos gravados em colunas
Fragmento de calcário com hieróglifos gravados, datado de 715–525 a.C. Fotografia: Wikimedia Commons, domínio público (CC0).

Colunas, capitéis e o monte Olimpo

O Olimpo é a montanha mais alta da Grécia, com 2918 metros no pico Mítikas, e na mitologia era a morada dos deuses. Os templos gregos, porém, ficavam nas cidades. A arquitetura clássica organiza-se em três ordens, reconhecíveis pelos capitéis: a dórica, sóbria; a jónica, com volutas; e a coríntia, decorada com folhas de acanto.

Colunas coríntias do Templo de Zeus Olímpico em Atenas ao fim da tarde
Colunas coríntias do Templo de Zeus Olímpico, em Atenas. Fotografia: Wikimedia Commons, domínio público (CC0).

O Templo de Zeus Olímpico, em Atenas, é um bom exemplo da ordem coríntia: começado no século VI a.C., só ficou concluído no tempo do imperador Adriano, no século II. Em Jewel Olympus, as colunas douradas lembram este tipo de templo, mas algumas aparecem torcidas em espiral. Colunas torsas desse género são muito mais associadas à arte barroca do que à Grécia antiga — uma liberdade gráfica que dá brilho ao cenário e pouco tem de histórico.

Templos na selva: uma mistura assumida

Jewel Raider não nomeia nenhuma civilização. As salas de pedra com trepadeiras evocam os templos maias da América Central ou os de Angkor, no Camboja, e a máscara colorida que surge num dos níveis vem da tradição tiki da Polinésia. É uma combinação de referências que nunca coexistiram no mesmo lugar, pensada para transmitir a ideia de expedição e não para reconstituir um sítio concreto.

Como olhar para estes cenários

  • Tratar o cenário como ilustração: dá ambiente, não ensina história.
  • Procurar os detalhes que vêm de lugares reais — hieróglifos, capitéis, pirâmides — e os que são invenção.
  • Usar a curiosidade como ponto de partida para visitar um museu: o Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, tem uma coleção de arte egípcia.

Para ver como cada jogo usa o seu cenário no dia a dia do tabuleiro, as análises de Magic Pharaoh Jewels, Jewel Olympus e Jewel Raider descrevem os ecrãs em pormenor.